segunda-feira, 28 de maio de 2012

Cinema Mudo, em preto e branco.





De silêncio em silêncio faço festa
Rock’n’roll mudo nossa transa
É no branco da página meu verso
Essa coisa vazia que sangra

Insana de mudez você clama
Grita sem som de ódio e dor
E eu calado e sisudo não respondo
Mas guardo fechado meu rancor.

Os fatos são repletos de silêncio
E a vergonha do silêncio nos assusta
Pois na calada da noite escura
Só o silêncio guarda nossa cama


Osmose.

O mundo ao meu redor explode
cinza e vermelho
um quadro de Pollock
E as pessoas se assustam
quando meu coração absorve o negro das palavras

quando o fel escorre dos vapores de meu ser
quando escrevo meu próprio quadro em vermelho.

domingo, 28 de agosto de 2011

Vago.

A faca escorre pelo corpo
Esverdeada pelos pecados
Passados.

A perda do braço não provoca asco
Mas desritmiza o choro


A porta se fecha
O cão se cala
E a dor falta.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Dialogia do Oprimido.

Anoitece na rua nobre
Horizonte sem fundo
Calejado de sangue
Pobre

Amanhece no escuro
Esgoto aberto breu
Enviesado viés
Cobre.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Esse não merece

Tem dias que a mente se sente
como que partida em diáspora
fui eu que estanquei de repente
ou foi a Roda que parou?

Por isso escrevo minha poesia na laranja
que gira enquanto se destrói
no rodamuinho redemoindo o mundo
da minha tela branca sem tang.

Burocrático.

Tem dias de noite escura
sem música na minha janela
sem vento bolero ela
sem nada que não se espera


Aprumo meu celofane
e cubro o elefante
Mas o gozo é burocrático
enfado tocando o fado.