quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Tolices Melódicas em Fá sustenido.

Eu adoraria cantar
tua beleza e meu amor
Mas como posso plantar
Aqui tão grande clamor?

Poderia um poeta
sem ouro e nobreza
louvar a deusa de Creta
Essa imensa realeza?

Ó como somos pobres tolos!
Vagando em desconsolos
buscamos uma paixão
Nosso traço neste chão

Para compor uma só
uma só nova cantiga
que seja heptassílaba


terça-feira, 24 de setembro de 2013

Febre

Anseio por acender um cigarro
Mesmo que eu não vá gostar
Mesmo sentindo na garganta
Uma  precognição do pigarro

É que por diversas vezes
Na calada da noite me assombram
As lembranças de quem fui e serei
E a visita me provoca instâncias loucas

Como noite de Folia de Reis
Eu sento na beirada da cama
e busco uma fonte de calor
Uma fonte de fumaça e amor

Pois mesmo não gostando
E mesmo com este vermelho sangue
De noite, sempre me vem
essa vontade louca de me matar

Fora da Lei (revisitado)

Queria ser John Wayne, mas bandido.
Fora desta estrela bem pregada
Para desmatar o deserto do Saara
Em plena noite iluminada

Queria eu não ter nascido
em fogo de noite enluarada
cuja flama da cor de Carrara
é frieza em véu de noiva atada.


segunda-feira, 24 de junho de 2013

Fora da Lei


Queria ser john wayne, mas bandido.
Fora dessa estrela bem pregada
pra desmatar o deserto do saara
em plena noite iluminada.

Diferente do cowboy de filme
Minha vontade não é firme
é uma pistola sem balas
na hora do perigo.

domingo, 23 de junho de 2013

Hibernação

A palavra se esqueceu de mim
talvez tenha se tornado fria
numa dessas viradas da vida
às esquerdas

Andei sozinho pelo branco do dia
numa solidão de pedra ao sol
nem o piar de pássaros azuis
nesse sertão

Pelo caminho reto fui distraído
das curvas e das montanhas
composições rítmicas no asfalto
retalhos

E joguei uma noite perdida
em um mundo quente pelos meus sentimentos 
carmins em tinta de pós-parto
um dado.

Encontro em uma música apagada
as cores do meu universo cansado
sangrando nos umbrais do cosmos
escrevo.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Cruz desaguada.

Há algo de estranho nesse reino
cujo cutelo não corta a carne
mas raspa a alma no freixo
e deságua sangue no mar

Há algo de horroroso no ar
cuja pestilência cinzenta
executa sua melodia de azar
e o maestro morto despenca.