segunda-feira, 25 de junho de 2012

Cruz desaguada.

Há algo de estranho nesse reino
cujo cutelo não corta a carne
mas raspa a alma no freixo
e deságua sangue no mar

Há algo de horroroso no ar
cuja pestilência cinzenta
executa sua melodia de azar
e o maestro morto despenca.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Cinema Mudo, em preto e branco.





De silêncio em silêncio faço festa
Rock’n’roll mudo nossa transa
É no branco da página meu verso
Essa coisa vazia que sangra

Insana de mudez você clama
Grita sem som de ódio e dor
E eu calado e sisudo não respondo
Mas guardo fechado meu rancor.

Os fatos são repletos de silêncio
E a vergonha do silêncio nos assusta
Pois na calada da noite escura
Só o silêncio guarda nossa cama


Osmose.

O mundo ao meu redor explode
cinza e vermelho
um quadro de Pollock
E as pessoas se assustam
quando meu coração absorve o negro das palavras

quando o fel escorre dos vapores de meu ser
quando escrevo meu próprio quadro em vermelho.

domingo, 28 de agosto de 2011

Vago.

A faca escorre pelo corpo
Esverdeada pelos pecados
Passados.

A perda do braço não provoca asco
Mas desritmiza o choro


A porta se fecha
O cão se cala
E a dor falta.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Dialogia do Oprimido.

Anoitece na rua nobre
Horizonte sem fundo
Calejado de sangue
Pobre

Amanhece no escuro
Esgoto aberto breu
Enviesado viés
Cobre.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Esse não merece

Tem dias que a mente se sente
como que partida em diáspora
fui eu que estanquei de repente
ou foi a Roda que parou?

Por isso escrevo minha poesia na laranja
que gira enquanto se destrói
no rodamuinho redemoindo o mundo
da minha tela branca sem tang.