sábado, 4 de julho de 2009

Confissões

Há tempos eu sabia contar
palavras, amores, vida
Contava as peças de montar
que faltam a um suicida.

Há tempos eu sabia viver
O relógio não me prendia
Hoje já nem posso ver
A corda que antes estendia.

No teu sorriso repousa a fina corda que suspende a minha inércia.

Num instante se cria a vida
Um beijo perfeito no centro
da inefável alegria desmedida
em apertados braços dentro.

Mesmo com todo o medo do mundo,
calados os calafrios cicatrizes
Pelo mútuo olhar do profundo
nós andamos e amamos felizes.


Dedicado à minha pequena.
(Ana Carolina)

Genesis

No princípio do princípio
Era o tédio.
Milênios transcorreram
Na imutabilidade do nada
E do nada, flatulências
cósmicas explodiram.
Dos seus dejetos imensos
vida, staphylococcus.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

NENA


Pequena és, noite ou dia,
Minha flor em meio às cinzas
Da desenfreada avenida
que navegamos milhas.

Teu sorriso, um guia
Nesta estrada infinda
De nenúfares em esquinas 
do corpo que chamamos vida.


Dedicado à Ana Carolina Negrão Berlini Andrade

sábado, 27 de dezembro de 2008

Da saudade.



O relógio gira devagar como a clepsidra
num sonho de flutuantes hipopótamos, 
os nanossegundos se perdem em paralisia
na rodovia encruzilhada em que estamos;

Quantos séculos da minha experiência
Se constróem nesse sofrimento?
Quanto de saudade, este adiamento
reverbera na cinza cor da ciência?

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

momento epifânico, movimento nº7

Antes eu queria ver o mundo
comprei os óculos para isto
conheci as cores
o vermelho, o cinza, o azul.

mas numa primavera argentina
meus óculos quebraram.