sexta-feira, 2 de julho de 2010

Das trocas

Um poema por dia
Não faz uma vida
mais rica ou viva
nem viva de alegria

Outra alma vivida
pura em plena putaria
todos os poemas troca
por uma puta por hora.

domingo, 27 de junho de 2010

Fala

Hoje acordei
e minha boca havia sumido
Só me restou
este velho poema puído

Neste poema
que é como um divórcio
não é bonito
mas infinito em seu ócio

Encontrei
Enleada na folha muída
nova boca
de nada imbuída.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Ontológico

Gosto dos desejos azuis
que flutuam
na minha consciência  negra

Véu branco de noiva
ou cortina do palco
são gaiolas para os pássaros

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Fábula Pós-Moderna

        I

Um gato olha um espelho
No silêncio do escuro
seu olho cravo no velho
pretérito do futuro

       II

Uma mão desce o ferrolho
Duma porta para o dia
O aceso enfado d'olho
noutro espelho parodia

terça-feira, 22 de junho de 2010

Sonhos

Morena pequena
pequena morena
pequena

Tua saia rodada
teu sorriso gostoso
morena

pequena
Teus olhos risonhos
Me distorcem

nos sonhos
morena
pequena 

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Vinum veritas est?

Os poemas para o cânone
são como o vinho para um conoisseur.

Quando jovens são
por demasiado
incompletos

Falta a consistência do selo de garantia.

Quando velhos
exilados em seus barris de carvalho

amadurecidos pelos anos
são néctar
ambrosia
provada em cristal.

Mas a incerteza é a mãe
da pergunta infiel:

Qual é a medida da idade
para um gordo conosseiur
que não quer tomar sangria
não se engasgar com vinagre?